terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

LEITURAS BÍBLICAS, TRIENAL A, 2023

SAL, ONDE DEUS NOS COLOCOU

Quem se aventura na cozinha sabe que o bom relacionamento com o sal é a base de tudo. Uma frustração é você ter diante de si um prato aparentemente delicioso, que encanta os olhos, mas ao ser saboreado, revela ser insosso. Pouco ou nenhum sal. A falta de sabor decepciona papilas gustativas, o coração, a alma. Por outro lado, uma refeição pode se tornar uma aflição quando o excesso de sal sufoca qualquer sabor. Sal além da conta é suicídio culinário E, se conseguir comer, é abaixo de suor, litros de água ao longo do dia e picos de hipertensão arterial. Sal precisa ser na medida certa.

Nos tempos bíblicos, além do tempero, o sal era usado como conservante e antisséptico. Evitava a deterioração de alimentos. Ajudava a curar feridas. E, neste contexto bíblico, Jesus diz: "vocês são o sal para a humanidade" (Mt 5.13). Cristãos são o sal. Isto não é um querer ou não querer ser. Somos sal. Desde o batismo, somos o sal no lugar onde Deus nos colocou. Sal que tempera. Que preserva Que cura. Que dá sabor à vida.

Se o belo prato insosso decepciona, o que dizer de uma vida da qual se espera sal na medida certa, e o que temos é uma extrema falta de sabor cristão? Este alerta serve a todos nós, para que não caiamos em hipocrisia, em uma vida dupla. Uma, nos bancos da igreja. A outra, na sociedade. Pecados prediletos cultivados em segredo, sem arrependimento algum. Ser sal é estar em constante arrependimento, mudança de vida, banhando-se com o perdão pleno de Jesus.

Por outro lado, se o excesso de sal apaga a beleza de qualquer culinária, há uma linha que divide a vida cristã do fanatismo denominacional. Quase uma lavagem cerebral, cheia de leis e proibitivos. Um terror de consciência, que anestesia as delícias de uma vida cristã vivida em amor. Este, por assim dizer, excesso de sal, ao invés de aproximar pessoas da graça e da misericórdia de Deus, acaba afastando.

Vivamos a vida cristã com sal na medida certa. Que realça o sabor da vida. Que aponta para aquele que nos envia para viver a vida. Que preserva o verdadeiro amor nesta sociedade que distorce este sentimento. Que cura as feridas de uma sociedade adoecida e sedenta de atenção. Tudo isto, não com nossa força. Mas com a força que vem do Senhor Jesus Nele há perdão. Vida eterna. Sal na medida certa. Perdão que cura. Amor que acolhe.

Então fica a dica: sejamos sal, na medida certa, onde Deus nos colocou. Uma conversa no whatsapp. Uma postagem. Um abraço. Ouvir o lamento de alguém. Orar pelo que sofre. Convidar para o culto. Apontar para Jesus.

Pastor Bruno Serves

Congregação Evangélica Luterana Cristo (IELB)

Candelária-RS

MATEUS 5.13-20

Neste Evangelho, Jesus nos compara com a luz e com o sal. Foi no batismo que nos tornamos luz do mundo e sal da terra. A verdadeira luz nós sabemos que é Cristo; nós somos um reflexo dessa luz. Somos parecidos com aquelas árvores de Natal que usam fibra ótica. Uma só lâmpada embaixo é refletida em dezenas de luzinhas tornando a árvore muito bonita. A luz é Cristo e as luzinhas somos nós.

Deus quer iluminar o mundo, e quer fazer isso através de nós. Que não sejamos lâmpadas queimadas, candeias apagadas ou fraquinhas. “Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro.” Candeeiro é uma espécie de cabide na parede interna da casa, onde, à noite, se pendurava a candeia, cujo pavio, untado com azeite, mantinha a chama acesa. Quanto mais alto estava o candeeiro, melhor iluminava a casa. Temos a missão de ser luz do mundo. Colocamos a nossa luz debaixo da vasilha quando ocultamos a nossa fé e os valores cristãos. Podemos fazer isso com as palavras ou com o nosso comportamento.

As pessoas só são plenamente felizes quando são iluminadas pela verdadeira luz que é Cristo, presente na sua Igreja. Faça uma experiência: Amarre um pano nos olhos e tente caminhar... É horrível! A gente se sente inseguro e tem medo de andar. O mesmo acontece com uma pessoa que anda longe do Caminho, da Verdade e da Vida, que é Cristo.

A Comunidade cristã é como o arco-íris: cada membro dela irradia a luz de Cristo com um matiz diferente. “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.” Sendo luz do mundo, nós glorificamos a Deus Pai.

“Vós sois o sal da terra.” Assim como o sal dá sabor à comida, a Comunidade cristã traz alegria e vida para o seu bairro. Os cristãos dão gosto de viver, para as pessoas com quem convivem.

“Se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?” Se a Comunidade não dá testemunho, aí é o fim, porque o povo não tem outro referencial de caminho, verdade e vida, para seguir. Não tem outro ponto de apoio para avaliar se algo está é certo ou errado.
Seria como se o metro parasse de medir; como que o marceneiro iria fazer? Se a balança parasse de pesar, como que o balconista da mercearia iria fazer?
A Comunidade cristã é a continuadora de Jesus. Ela é a única referência segura deixada por Deus na terra. Referência de verdade, de justiça, de amor, de felicidade e de todos os valores. Portanto, ela é sal para todo o bairro, não só para os cristãos. Mesmo quem não a freqüenta nem pertence a ela, se baseia nela para avaliar a si mesmo e os outros, se estão certos ou errados, se estão ou não no caminho de Deus e da salvação.
Se a própria Comunidade cristã se corrompe, o povo fica triste e perdido, os jovens perdem a alegria e o brilho dos olhos.
“A luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam” (Jo 1,
5). Se alguém se torna luz do mundo, com certeza vai sofrer os ataques do mundo pecador. Mas Deus é mais forte que o mundo.

Certa vez, um pastor chegou a uma Comunidade rural para começar uma missão. Enquanto ele montava o som e preparava a capela, um menino de uns seis anos estava sempre perto dele. Então o pastor perguntou: “Como você se chama?” Ele respondeu: “Diabo”. O pastor achou que era brincadeira, mas percebeu que a criança estava falando sério. Então chegou perto dele e disse com carinho: “Meu bem, como que é o seu nome?” “Diabo”, repetiu novamente o garotinho. O pastor não entendeu aquela atitude, mas disfarçou e disse a ele: “Onde você mora?” “No inferno”, respondeu ele. O pastor ficou ainda mais curioso e disse: “Onde fica o inferno?” “Ali”, respondeu o menino apontando para a sua casa. “Vamos lá?” propôs o pastor. “Vamos”, disse o menino e até pulou de alegria. Quando estavam chegando perto da casa, o pastor entendeu tudo. Ele ouviu a mãe gritar: “Onde está aquele diabo daquele menino?” A mãe vivia xingando o pobrezinho de diabo, dizendo que a casa era um inferno e o menino, na sua inocência, pensava que era isso mesmo, apesar de não saber o que significam as palavras diabo e inferno.

Claro que quem age assim não é luz do mundo nem sal da terra! Pelo contrário, está dando um contra testemunho cristão, além de escandalizar as crianças.
Jesus é uma luz forte e bonita. Ele continua até hoje iluminando o mundo. Peçamos à Ele (Jesus) que nos ajude a ser sal da terra e luz do mundo.
Vós sois a luz do mundo.